Diogo Robalo

A website is Marketing, not IT.

Quando um marketeer ou gestor se vê confrontado com a necessidade de “olhar” para o site da sua marca ou empresa, a provável reacção é:

– “para a semana agarro nesse dossier sem falta!”.

Pois é, isto dos sites é um misto de chatice e mistério. Este artigo do Marketing Insights irá procurar lançar alguma luz sobre este tema e deixar sugestões práticas sobre como lidar com o site da sua marca.

Fase 01. O Diagnóstico.

Questões para um diagnóstico eficaz:

01. A empresa tem um site que precisa de ser actualizado. Links que não vão dar a lado nenhum e a última notícia é de Fevereiro de 2010. Ops, temos que fazer qualquer coisa em relação a isto.

02. A empresa tem um site que é controlado pelo Dpt de Informática e o Marketing não tem qualquer poder sobre a matéria porque a Direção diz que isso do site é IT. Acontece com alguma frequência, sobretudo em organizações maiores e a questão política deve ser resolvida primeiro. A minha sugestão é que expliquem a quem de direito que o digital não é uma questão acessória na gestão e comunicação de uma empresa e que o Marketing deve liderar o processo. Eu já tive a oportunidade de conhecer situações deste tipo e por norma o que acontece é que nada acontece. Marketeers: façam com que aconteça! Uma maneira de ganharem força para o vosso argumento é perceber de tecnologia. Não se podem deixar intimidar por questões técnicas; aprendam sobre html, php, etc. lutem por soluções open source… vejam o meu artigo sobre jargão tech aqui.

03. Existe uma estratégia integrada de comunicação digital, entre o site e os media social? Estes estão ligados de forma articulada e dinâmica?

04. Queremos um site “brochura” ou um site “jornal”?

05. Precisamos de um site de todo, ou chega a presença nos media social?

06. Quais os recursos internos disponíveis e capazes para desenvolver conteúdos escritos? Temos alguém para trabalhar o Facebook e o Twiter? Ou será melhor sub-contractar estes serviços? Vamos por um estagiário a tratar do assunto? E se ela vai embora daqui a 3 meses?

Fase 02. O Plano de Acção.

Todo o site deve começar com um organograma. São mais os Clientes que vêm ter connosco sem esta ferramenta do que os que a trazem para início de conversa. Um organograma é fundamental porque nos ajuda a organizar a informação sobre:

01. o site que já existe;

02. o site que queremos na próxima versão;

03. o input de colegas;

04. o relacionamento com Colaboradores Externos;

05. Inventariação dos media social que existem e os que queremos para a nova fase de comunicação;

06. Inventariação dos RH internos que serão alocados ao projecto assim como as respectivas responsabilidades e poderes;

Esboço de calendário e budget para o projecto;

Em relação a estas duas variáveis – tempo e custo – é importante ter a noção de que um site não é um relatório e contas ou uma brochura institucional. Estes produzem-se e está feito. Não existe actualização ou correcção possível. No caso do digital, trata-se de um processo e de um permanente trabalho em progresso. Por isso é importante enquadrar este paradigma no desenho tanto do calendário como do budget.

Fase 03. Contratação.

Equipados com um Plano de Acção completo está na hora de ir para o mercado à procura dos Parceiros Externos com o melhor perfil, competências, preço e – muito importante – fiabilidade para o desafio que se nos coloca.

Não vou entrar em sugestões muito específicas sobre como procurar ou selecionar o Parceiro certo para o seu projecto. Vou no entanto propor um pequeno check-list de questões para colocar aos candidatos assim como algumas permissas que penso serem importantes para um relacionamento frutífero.

01. Não tratem a empresa ou free-lancer que vão contratar como um Fornecedor. Ele, ela ou eles não lhe vão vender uma fotocopiadora ou recargas para a máquina do café.

Ao torna-los Parceiros do seu projecto, está a atribuir-lhes não só mais valor, mas também mais responsabilidade. Não esqueça que a sua relação com estes Parceiros será possivelmente mais longa do que a relação com o Estagiário ou mesmo com alguns Colegas.

Exemplo concreto: Estamos a trabalhar num site que ficou parado porque a pessoa responsável do lado do Cliente foi saiu da empresa e o projecto ficou de certa forma operacionalmente “orfão”.

02. Vejam o Portefolio e Lista de Clientes. Que trabalho fizeram e para quem?

03. Trabalhem com um budget. Como sabem um orçamento é o preço proposto pelo “Fornecedor” ao passo que budget é o valor que vocês têm disponível para investir. Há empresas que só participam em projectos a partir de determinado valor e outras que fazem um site por €100.

Exemplo concreto: A Happy Cog só trabalha em projectos com um budget mínimo de $100,000.

04. Perguntem aos potenciais interessados em trabalhar no projecto e que tenham entrado na vossa short list porque querem trabalhar e o que sabem sobre com a vossa marca ou empresa.

05. Sejam claros com os objectivos do projecto e forneçam um briefing e um organograma. Ao fazerem isto reduzem as possibilidades de mal-entendidos no orçamento e demonstram capacidade de gestão que irá impor mais respeito durante o processo de negociação e eventual colaboração. É difícil levar muito a sério alguém que se limita a pedir um orçamento para um site.

Falo por experiência própria quando digo que não é fácil orçamentar projectos desta natureza. São muitas as variáveis que não dominamos e é sobretudo difícil quantificar inputs como horas de trabalho. Por isso quanto mais informação for fornecida mais fácil será o trabalho de quem quer produzir um orçamento sério e e rigoroso.

Resumindo.

Desperdiça-se muito tempo e dinheiro em sites mal planeados. Assim e para evitar “mexer” no site principal da empresa, sugiro que considerem fazer micro-sites para acções específicas ou sectoriais da marca ou da instituição. Depois façam um link para o site principal ou peçam ao Dpt. de IT para alojar o vosso site no servidor principal. Isto dá algumas garantias de segurança e permite ao IT fazer a integração e verificação. Estes pequenos passos permitem-vos aprender sem correr grandes riscos e ir ganhando a confiança dos vossos Colegas, e – sobretudo a sua confiança própria.

Se tiverem dúvidas ou quiserem esclarecer algumas questão mais técnicas, contactem-me [ filipe@mediadellarte.eu ] e tentarei ajudar.

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