Diogo Robalo

Gastronomic culture: a unique product.

Este é um assunto pelo qual sou apaixonado. Chamo-lhe “cultura gastronómica” porque é matéria de natureza cultural; vai muito para além da dimensão nutritiva ou mesmo organoléptica: a gastronomia sempre me interessou porque é um tema multi-disciplinar: geografia, linguística, agricultura, ecologia, economia, migrações, etc.

No contexto do Marketing Insights, o ângulo que quero explorar é a cultura gastronómica enquanto produto comercializável. Isto pode ser feito a dois níveis: a) enquanto produto turístico e b) enquanto produto / conteúdo; o segundo ajuda a promover o primeiro e o primeiro ajuda a financiar o segundo, criando um círculo virtuoso e inter-dependente.

Assumir a diferenciação num mercado global.

Mas, tal como o vinho (ver Marketing wine: beyond fermented grape juice), acho que a gastronomia deve ser encarada como um produto global. Para ser atraente deve ser protegido, cultivado e promovido. E é sobre a maneira de o promover e comunicar que posso dar opinião: lutar para não perder a identidade; assumir a “horta” e a “tasca”; ter orgulho na dignidade dos pescadores, agricultores e pequenos Restaurateurs e – last but not least – um público exigente à mesa: o Português.

A promoção inteligente e de longo prazo da cultura gastronómica portuguesa terá vantagens a níveis tangíveis, como o valor gerado pelas actividades turísticas, mas terá sobretudo uma enorme vantagem de difícil quantificação: a valorização da marca “Portugal”. Não como exercício de marketing superficial e efémero, mas de efeito mais profundo e que tem que ver com a percepção do país visto a partir do mercado global.

Colaboração não é necessária, é decisiva!

A criação de um ecossistema com a colaboração genuína e articulada entre entrepreneurs, municípios, organismos públicos e sociedade civil é a única maneira de não matar mais uma galinha dos ovos de ouro. Este sempre foi o nosso problema: trabalhar em conjunto para a causa comum em que todos podemos beneficiar e que possa garantir sustentabilidade no longo prazo. Mas a esperança é a última a morrer e acredito que novas gerações de portugueses e uma renovada capacidade de olhar para além do umbigo podem garantir que o produto único – sim é diferente do espanhol, italiano ou francês – que temos pode ser transformado em valor para a economia, cultura e – em última análise – para a auto-estima dos portugueses e afirmação da Portugalidade.

Notas sobre o filme.

Trata-se de uma maquete que fizemos para o projecto GC – Gastronomic Culture e que tem como objectivo desenvolver conteúdos em inglês sobre a gastronomia portuguesa. Temos pesquisa para 4 episódios e ideias para muito mais. Estamos ainda a desenvolver o modelo de negócio e à procura de parceiros institucionais e privados. Anybody out there?

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